
o dia transformou-se em objecto
adormeceu vagueando pelas ruas
inventando inexplicáveis silêncios
dentro da própria luminosidade
embarcou no tempo que não existia
infindável, preso à insónia dos corpos
entre passos amargos e voláteis
confundido em estranhas paisagens
o dia sobreviveu entre palavras confusas
espesso e cansado de desejos
caminhou numa ausência pesada
soltando rumores infindáveis de paixão
corroeu a manhã rutilante
engoli-o a tarde perfeita
devorou a noite matizada
libertou-se anónimo do tempo
o dia foi dia, dia inesperado
num olhar que lhe sorrio...
l.maltez

























